quinta-feira, 19 de novembro de 2009

ESQUIZOFRENIA

Ísis era branquinha, de cabelos pretos e longos, boca apertada e quando fazia sexo anal sentia tesão de pingar. E mesmo assim, Alex não parava de pensar na ex.

Aquilo o consumia. Ficava um caco sempre que ia embora da casa de Ísis; a ressaca sexual moral era tanta que o fazia temer encontrá-la novamente – embora ele sempre tornasse a beber da água. Era pior a qualquer porre de vodca de terceira que já tomara. E Alex não gastava mais que três reais com uma garrafa de vodca.

Entretanto, chega uma hora que toda cruz fica pesada de carregar, e, sendo assim, resolveu dar um basta àquela situação que o massacrava por dentro. E despejou aos berros o discurso que ensaiara:

- PODE PARAR! PODE PARAR COM ESSA PORRA AGORA! VOCÊ NUNCA FOI TÃO BOA ASSIM NA CAMA. E AGORA FAZ COMIGO TUDO QUE EU SEMPRE PEDI ENQUANTO ESTOU COM OUTRA?
- Alex, surtou? Tá falando com quem? – Indagou uma assustada Ísis.

Levantou-se da cama e foi fumar. Depois daquele dia, a ex nunca mais veio a sua mente durante o sexo. O que além de deixá-lo muito feliz, segundo ele, o curou, pois se aquilo insistisse em acontecer, o próximo passo da loucura seria transar somente por amor.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

AGENDA ÚNICA

Ligou para ela atrás do sexo casual o qual estavam habituados. Entretanto, como sabia da ficha corrida da moça - que apesar de inteligente, bela e de corpo bem feito, insistia em dar para qualquer um que lhe sorrisse - titubeou e ligou antes para seu amigo, que também mantinha essa, digamos, sociedade com ele. Queria saber se o amigo não a visitaria naquele dia, pois achara muito desagradável quando em certa feita transou com ela à noite e descobriu posteriormente que seu "sócio" brincara no mesmo parquinho à tarde.

A história entre os dois amigos continuou, mas com horários e dias bem determinados. Mesmo quando apareceu um terceiro comedor, todos conseguiram combinar as agendas. A brincadeira foi ficando chata quando apareceram o quarto e quinto participantes. Eram muitos eventos para se flexibilizar em um parco calendário e com certeza os horários acabariam se chocando. Não seria muito aprazível.

Porém, o mais interessante e surreal é que mesmo no auge de cinco "visitantes", cada um deles tinham os telefones um do outro, como já disse, para evitar certos constrangimentos pegajosos. E assim sempre ligavam uns para os outros para estabelecer os dias e horários que cada um defloraria a moça. Mas nunca ligavam para o marido dela. Não por achar que daria um grande barraco ou confusão com o traído. Não por isso, porque até pensaram em chamá-lo a participar da brincadeira. Mas porque dos cinco, aliás, seis com ele, o marido devia ser o único com quem ela não ia para cama.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

CÃO QUE LADRA NÃO MORDE

Resolveram se encontrar após meses de relacionamento virtual. A verdade é que a coisa de se masturbarem em frente à webcam perdeu a graça. E eles ansiavam pelo tato frenético e enlouquecido que um romance em meio ao tesão, curiosidade e aventura poderia proporcionar.

Prometeram um ao outro ser aquela a maior maratona sexual da história, uma vez tratar-se de apenas dois dias de encontro, o que, pelos cálculos do casal – ele, um sátiro, ela, uma ninfa – daria para se esbaldarem, contanto não fizessem programas de índio, como sair do quarto do hotel.

Pois bem. Encontraram-se apenas no início da tarde, pois ele perdera o voo original. Precisariam correr contra o tempo. Agora teriam apenas um dia e meio para se refestelarem. Mal se deram conta e estavam nus em gozo no quarto do hotel.

Entretanto, para as pretensões de ambos, não conseguiram bater os próprios recordes de coitos. Despediram-se frustrados por não haverem transado tanto quanto queriam, pois ele tanto contou vantagem de seu desejo sexual que acabou não dando conta do recado, ficando esfolado e inutilizado em apenas cinco cópulas. E ela, bom, ela se resignou, decepcionada por não usar o que solicitara ao serviço de quarto: uma bacia com gelo para fazer assento.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

PRELIMINARES

A Escrita Salaz surgiu para materializar a vontade desse contista aqui de escrever mais histórias perversas e licenciosas e desocupar a Coluna Fantasma, que não tem o público destes contos.

Mas quem lá visita, sabe gosto de escrever essas historinhas um tanto libertinas. Desde contos eróticos nunca publicados que devem ser revistados para serem postados aqui, até começar com as contribuições ao MiniContos Perversos, do Gustavão, com os contos Diálogo Sexual de Um Amável Casal Que Se Odeia, Nada Convencional e Comi Meu Avô Porque Odeio Minha Família.

Mas devo fazer justiça: o excelente blogue dele me inspirou na elaboração deste. E a tal ponto que tive de homenageá-lo na Coluna com o marcador À Moda MCP. Pronto. Eu já podia colocar a culpa em alguém sempre que escrevesse algo perverso, como esses contos aqui.

Logo depois, por meio da Bruxinha, passei a fazer parte do Guerra de Travesseiro, contando as peripécias de uma ninfomaníaca chamada Janette, com os capítulos Provei e Gostei, A Revelação II, Asco e Pena, A Mamãe e os Meninos e O Ménage Gay.

Ali, sim, a coisa esquentou. Trata-se de uma novelinha erótica, onde cada um dos quatro escritores vão encaixando as histórias devassas. E são tão bem escritas que podem ser lidas sozinhas ou em separadas.

Bom, é isso. A Escrita Salaz é a oportunidade que tenho de publicar tudo em comum que há nestes meus textos disponíveis em outros blogues, além da certeza de que a fonte de ideias lascivas não secará. Espero que gostem de lê-los tanto quanto eu gostarei de redigi-los.

P.S.: sacaram o lance subliminar da pimenta fatiada, né? A coisa picante em diversas partes, diversos contos picantes. Sacaram, sacaram, sacaram? ;)